top of page

Escolas de Treinamento - Parte 1



Existem, no Powerlifting, assim como no LPO, diversas escolas de treinamento e cada uma apresenta suas vantagens e desvantagens.


Antes de abordar algumas características de cada uma das principais, é importante apontar alguns problemas que ocorrem nesse debate sobre escolas. Algumas pessoas, por fins pessoais, vendem a ideia de uma escola de treino como se fosse uma camisa a ser vestida, sem se aprofundar nos princípios que a escola defende. Ou seja, há a escolha de um “time” mais pelo marketing em si do que pela leitura mais profunda dos fundamentos por trás dela. Dizer que segue escola russa ou escola americana é uma coisa, entender os princípios de cada uma delas é outra.


Um segundo problema, é o pensamento metonímico, no qual se pega uma parte e toma-se como um todo. Não se pode recortar uma característica de uma escola de treinamento e achar que resumiu a escola. Um frame não compõe um vídeo. Não é porque você faz maxout de vez em quando que você segue o método búlgaro tal qual Abdjiev. Não é porque usa cadeira extensora que segue o método americano a la Ed Coan. É possível um russo inserir extensora assim como um americano pegar algo de outra escola. O fluxo de informações e “importação” de treinadores por algumas nações flexibilizou muito isso.


Há uma tendência de as pessoas tentarem classificar tudo para simplificar, mas na prática, não funciona assim, de forma binária. É complexo, porém não é complicado. A ordem de um sistema não pode ser justificada apenas por uma breve observação e recorte do mesmo, sem compreensão maior.


O terceiro e principal problema é tomar as escolas como algo engessado e fixo que nem pedra, quando na verdade elas são flexíveis na programação. A ideia central, o coração de toda escola de treinamento é criar um mapa para você saber ONDE ESTÁ, para ONDE VAI e sugerir a ROTA. Você modela o caminho. Se você está na zona sul e quer chegar no centro, não pode utilizar a mesma rota que foi sugerida para alguém que está na zona norte indo para o centro. Por isso as metodologias seguem princípios e não programações fixas. Dois indivíduos podem treinar com o mesmo treinador e possuir programações muito diferentes.


Para Platonov, há uma parte central da periodização que é estável, regida por leis fisiológicas, psicológicas e pedagógicas. Mas há uma parte periférica, mutável, na qual novas ideias são inseridas e partir de textos, no longo prazo, elas podem se inserir na parte central. Ou seja, a periodização é uma ciência dinâmica, em constante evolução.


"Você precisa entender que existe mais de um caminho para o topo da montanha" (Myamoto Musashi)

Treinadores que utilizam a periodização de forma correta seguem PRINCÍPIOS e LEIS dessa parte central da teoria da periodização. O fim de todo treinador excepcional é sempre PRAGMÁTICO: apresentar resultados. E esses resultados devem surgir de macrociclo para macrociclo, com apresentações em competições oficiais. Sem o alcance destes resultados superiores ao macrociclo anterior, a forma esportiva, como definida por Matveev, não foi atingida com sucesso.


O que é feito para chegar lá é que define a escola de treinamento. Mas notem que o objetivo não é a escolha do meio / método em si apenas por ser “legal”, mas sim por oferecer um resultado concreto. Especialmente para quem entra em contato com o esporte via internet, isso é essencial de assimilar! Há muitos caminhos possíveis, não tente “romantizar” um programa achando que ele será revolucionário. Não existe “o programa ideal”. Mesmo atletas de pódio em mundial estão insatisfeitos com um pequeno detalhe ou outro do programa.


As escolas de treinamento e diferentes metodologias são uma grande caixa de ferramentas. Cabe ao treinador usar a chave de fenda quando achar necessário, usar o alicate ou martelo em outra ocasião.


216 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Commentaires


bottom of page